Associação Feminina das Servidoras Públicas do Brasil

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Leia este mês:

  • Idosos que moram sozinhos apresentam três vezes mais chance de não tomar remédios

  • Pobres velhos, coitados dos seus familiares

  • Alzheimer afeta 40% dos idosos acima dos 80 anos

  • Depressão: saúde mental do idoso não pode ser negligenciada

  • Mais de 80% dos idosos caem dentro de casa

  • O Novo Idoso

  • Musculação vira remédio para idoso combater doenças
    Bons hábitos diminuem incômodos da menopausa


Idosos que moram sozinhos apresentam três vezes mais chance de não tomar remédios

Medo de reações adversas, distúrbios de memória e problemas financeiros são alguns dos fatores que podem levar a esse problema.

 

O aumento da prevalência das doenças crônicas não transmissíveis na idade avançada coloca os idosos no grupo etário mais medicalizado da sociedade. Frente a isso, Fernanda Aparecida Cintra, Maria Elena Guariento e Lilian Akemi Miyasaki, pesquisadoras da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), investigaram a adesão ao tratamento medicamentoso entre idosos e identificaram fatores relacionados a esta adesão. A pesquisa intitulada “Adesão medicamentosa em idosos em seguimento ambulatorial” foi publicada ano passado na revista Ciência & Saúde Coletiva.

A investigação foi realizada no Hospital das Clínicas da Unicamp nos ambulatórios de Cardiologia Geral, Medicina Interna e Oftalmologia. Segundo as autoras, estas especialidades foram eleitas devido ao número elevado de idosos em seguimento terapêutico. Participaram 165 idosos de ambos os sexos. A maioria revelou cumprir a terapêutica medicamentosa, “possivelmente motivada pelo ‘medo de agravo à saúde’ e pela ‘vontade de viver’”, dizem as pesquisadoras no artigo.

Ao todo, 88,5% dos idosos revelaram adesão ao tratamento. Desses, 91,1% moravam acompanhados. Os idosos que moravam sozinhos apresentaram três vezes mais chance de não aderência ao tratamento. Segundo a pesquisa, os fatores combinados que apresentaram maior chance de predizer a não adesão à terapêutica foram: “morar sozinho” e “efeitos colaterais”.

“A participação da família ou do cuidador mostra-se importante para o cumprimento da terapêutica pelos idosos, uma vez que com o avançar da idade eles tendem a se tornar mais dependentes devido aos déficits cognitivo e fisiológico, característicos dessa fase da vida”, afirmam as autoras na publicação.

Além desses fatores, a pesquisa revela que há outras causas relacionadas à não adesão ao tratamento, como consumo elevado e uso prolongado de medicamentos, desaparecimento dos sintomas, desconhecimento sobre os remédios, falta de motivação, analfabetismo e distúrbios de memória.

O alto custo das medicações também é citado no estudo como um importante fator para a não adesão ao tratamento. “O uso em doses inferiores ao que recomenda a prescrição médica por iniciativa própria, por parte dos idosos, é revelado como tentativa de ‘economizar’ a medicação, especialmente no final dos meses. Esta conduta é motivada pelo medo da falta da medicação nas Unidades Básicas de Saúde, bem como pelas condições financeiras precárias para adquiri-la”, dizem. Segundo as autoras, os idosos adotam outras estratégias em função do impacto econômico causado pelos remédios, por exemplo, o uso de crédito, substituição da compra de alimento pelo medicamento ou até mesmo o não cumprimento do tratamento.

O estudo também chama a atenção para o número expressivo de idosos que relata queda da acuidade visual, considerando as implicações da baixa visão no cumprimento da terapêutica medicamentosa.

O total de medicamentos em uso contínuo pelos entrevistados variou entre um e 12, com média de 4,5 medicamentos por idoso. Segundo a pesquisa, a quantidade diária de medicamentos a ser consumida pode originar erros na sua administração, particularmente entre os idosos. O uso de vários comprimidos ao dia em horários distintos pode ser dificultado pelo esquecimento, trabalho e déficit cognitivo.

 

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

 

 


Pobres velhos, coitados dos seus familiares

 

Este título bem que poderia ser ao contrário: coitados dos velhos, pobres familiares. A ordem do adjetivo não importa, pois a problemática é a mesma.

Venho escrevendo há anos artigos sobre a grave questão da velhice brasileira — a meu ver atualmente o maior problema social que o Brasil começa a enfrentar e que tende a se agravar em curto ou, no máximo, médio espaço de tempo.

Essa difícil situação concentra-se principalmente na classe média dos grandes centros urbanos, já que a classe baixa, infelizmente por falta de cuidados com a saúde, tem uma expectativa de vida menor e a classe alta, com seus recursos financeiros, tem condições de pagar profissionais a peso de ouro ou mesmo colocar os seus idosos em estabelecimentos ou asilos confortáveis. Já os abrigos dirigidos às classes menos favorecidas, na sua grande maioria, não passam de depósitos de velhos e alguns até fariam os campos de concentração da Segunda Guerra Mundial parecerem hotéis 5 estrelas. Essa realidade está atingindo praticamente todas as pessoas com as quais me relaciono e que, brevemente, serão eles próprios (e me incluo nisso) que terão de enfrentar.

Outro dia, li um artigo do ex-ministro Maílson da Nóbrega, no qual ele afirmava que o grande problema brasileiro é o valor gasto com a aposentadoria dos idosos, o que parece lhe irá custar um processo bem-merecido movido pelo Sindicato dos Aposentados do País. Pelo visto, esta é a ideia corrente dos políticos brasileiros, que encaram a velhice como um estorvo para a nação.

Além das mazelas que a idade lhes impinge, os idosos da classe média urbana se deparam com a ausência de alguém que possa olhar por eles. Hoje as famílias estão muito menores do que antigamente. No geral, todos os seus membros trabalham, mesmos os mais velhos, pois com os rendimentos recebidos pelo INSS não conseguem sobreviver. Então quem pode cuidar dos velhos dessas famílias? Não há espaços apropriados para abrigá-los. Carecemos de profissionais especializados (cuidadores) para atendê-los e os poucos que existem a classe média não tem condições de pagar.

Já não sei mais o que me comove: se é a situação dos nossos idosos, ou de seus familiares que não têm recursos financeiros e nem tempo (em alguns casos nem mesmo paciência) para suprir as necessidades dessa população que, cada vez mais cresce em números e aumenta suas demandas de atenção e cuidados, exigindo dos seus familiares maior dedicação, sem se importar se seus descendentes têm ou não condições de atendê-los.

Pobres velhos, coitados dos seus descendentes e dos futuros idosos também!

 

Sylvia Romano

 

 


Alzheimer afeta 40% dos idosos acima dos 80 anos

A doença tende a crescer à medida que a expectativa de vida é elevada

 

Os números são alarmantes, pois apontam que quase 40% da população idosa, acima dos 80 anos, é acometida pelo Mal de Alzheimer, segundo a Dra. Cybelle Diniz, geriatra da Unifesp e colaboradora da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). No entanto, de acordo com a especialista, a estatística não reflete a quantidade de pessoas em tratamento, uma vez que o diagnóstico é ignorado ou mesmo confundido com outras patologias. Assim, com a finalidade de discutir o tema e alertar a população é lembrado amanhã, 21 de setembro, o Dia Mundial de Alzheimer.

Embora seja conhecido que a doença é de característica neurológica degenerativa, em que proteínas anormais se acumulam levando à perda de neurônios, a medicina ainda não encontrou meios de parar ou reverter o processo de Alzheimer. Sem cura, especialistas utilizam medicamentos – que repõem algumas substâncias que os neurônios mortos deveriam construir – para aliviar os sintomas e contribuir, assim, para melhorar o bem-estar daqueles que sofrem do Mal. Para a geriatra “até o momento, contudo, nenhum medicamento impede que a doença progrida”.

A partir dos 60 anos, o indivíduo se torna suscetível à doença, mas o pico de incidência ocorre aos 80 anos, de acordo com a Dra. Cybelle, que aponta o esquecimento como o principal sintoma do Mal. “E não se trata daquele esquecimento pontual, mas o frequente, em que o indivíduo apresenta dificuldade de memória, apagando com facilidade um fato de sua mente”, alerta.

De acordo com informações da ABRAz, o Mal de Alzheimer apresenta-se em quatro fases, sendo:

1° fase – Perda de memória de curto prazo, com dificuldade em lembrar fatos ocorridos recentemente. O paciente apresenta alteração na capacidade de se concentrar e agilidade do pensamento, sobretudo o abstrato; e da memória autobiográfica, pois ele esquece o que fez no domingo, por exemplo; além de certa desorientação de tempo e espaço. A pessoa também não sabe onde está e tampouco em que ano, mês ou dia. A apatia é outro sintoma bastante comum nesta fase.

2° fase – Com o passar dos anos, conforme os neurônios morrem e a quantidade de neurotransmissores diminui devido a evolução da doença, aumentam a dificuldade em reconhecer e identificar objetos e a execução de movimentos. A memória é afetada de modo diferente, pois as mais antigas, a memória semântica (de fatos acontecidos no mundo e história geral, significado das palavras e coisas) e a memória implícita (memória de como fazer as coisas) não são tão afetadas como a memória de curto prazo (recente) e a memória autobiográfica. Surgem problemas de linguagem, como a diminuição do vocabulário e a dificuldade para falar; e o paciente passa a ter dificuldade para fazer tarefas simples do dia a dia, como escrever, vestir-se e lembrar de tomar a medicação.

3° fase – A dificuldade na fala torna-se evidente devido à impossibilidade de se lembrar de vocabulário. O paciente vai perdendo a capacidade de ler e de escrever e deixa de fazer as mais simples tarefas diárias. Os problemas de memória pioram e o indivíduo pode deixar de reconhecer os seus parentes e conhecidos, o que representa uma progressiva incapacidade para o trabalho e convívio social. A memória de longo prazo vai se perdendo e alterações de comportamento podem se agravar. As manifestações mais comuns são a apatia, irritabilidade e instabilidade emocional, chegando ao choro, ataques inesperados de agressividade ou resistência ao cuidado. Incontinência urinária pode aparecer. O paciente pergunta a mesma coisa centenas de vezes, mostrando sua incapacidade de fixar algo novo. Palavras são esquecidas e frases são truncadas, permanecendo sem finalização, muitas vezes.

4° fase – O paciente está completamente dependente das pessoas que tomam conta dele. A linguagem está reduzida a frases simples ou até palavras isoladas, levando, eventualmente, a perda da fala. Apesar do prejuízo da linguagem verbal, os pacientes podem compreender e responder com sinais emocionais. No entanto, a agressividade ainda pode estar presente e a apatia extrema e o cansaço são resultados bastante comuns. Há dificuldade para desempenhar as tarefas mais simples sem ajuda, tal como levar o copo à boca.

Apoio familiar

Mediante este cenário, a família tem papel preponderante na vida do portador da doença, que se torna cada dia mais dependente das pessoas que o cercam. “A família precisa entender que o ambiente deve ser tranquilo, harmonioso ao paciente. A falta de rotina e um ambiente estressado e com brigas é complicado”, reforça a Dra. Cybelle Diniz. Ainda de acordo com a geriatra, o cuidador familiar, nome dado à pessoa responsável pelo paciente, precisa cuidar da própria saúde, pois tem grande chance de adquirir depressão e demais doenças por conta do desgaste a que estão sujeitos. Além disso, devem buscar informação de qualidade e procurar a boa convivência com os portadores da doença, incentivada por grupos de apoio em que a troca de experiências entre os cuidadores facilitam compreender melhor o Alzheimer e lidar com os portadores de maneira saudável.

A especialista também reforça o fato de que a medicação para o tratamento inicial está disponível na rede pública, assim como as fraldas geriátricas são vendidas nas farmácias populares a um preço acessível, e que, buscar apoio e informação, e recorrer a uma assistência social para ajuda domiciliar são ações que podem facilitar a vida dos pacientes e daqueles que também vivem a doença.

 

Cenário atual

75% dos portadores do Mal de Alzheimer não foram diagnosticados, segundo relatório divulgado este mês de setembro pelo ADI (Alzheimer's Disease International), ligado à Organização Mundial da Saúde. O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria do King's College, em Londres.

Para o ADI, que reúne 76 associações dedicadas à doença, 36 milhões de indivíduos no mundo convivem com o Alzheimer, sendo que três quartos desconhecem a doença, de acordo com o relatório, que mostra ainda que nos países mais ricos, 20% a 50% dos casos são reconhecidos e documentados, enquanto que nos mais pobres, a proporção pode chegar a apenas 10%. Os cientistas responsáveis pelo estudo acreditam que cada país precisa de uma estratégia nacional que promova o diagnóstico antecipado e um cuidado contínuo posterior, com o lema “gastar agora para economizar mais tarde”.

A pesquisa também demonstra que as intervenções podem fazer diferença até mesmo nas etapas iniciais da doença, melhorando a cognição, independência e qualidade de vida.

 

Fonte: www.saudeempautaonline.com.br/

 

 


Depressão: saúde mental do idoso não pode ser negligenciada

A depressão não é uma parte normal do envelhecimento, nem é mais difícil de tratar em pessoas idosas

 

A depressão, bem como o aparecimento de outras doenças mentais,  é muito comum entre os idosos. E o tratamento destas condições geralmente está atrelado à importância que o médico que atende o idoso  dá aos cuidados com a saúde mental. Neste sentido, um estudo americano  - Two-Minute Mental Health Care for Elderly Patients: Inside Primary Care Visits – sobre o tema, publicado no  The Journal of the American Geriatrics Society, sugere que os médicos dedicam  muito pouco tempo para falar sobre essas doenças com os pacientes idosos.

Para chegar a tal conclusão, os pesquisadores analisaram gravações de 385 consultas com pacientes idosos e descobriram que o tempo médio gasto nas consultas, discutindo a saúde mental do paciente era de apenas dois minutos e que os temas relativos à saúde mental foram abordados em apenas 22% das visitas, embora a pesquisa  tenha revelado que  50% dos pacientes estavam deprimidos.

 

Depressão na terceira idade

“A depressão do paciente idoso precisa ser encarada como natural, mas não inerente ao envelhecimento. A depressão na terceira idade é um problema freqüente que, muitas vezes, não é diagnosticado e tratado. É comum que o idoso não admita que determinados sinais e sintomas são de depressão, pois ele tem medo de ser visto como ‘fraco’ ou ‘louco’ pela família. Outros têm consciência  de sua depressão, mas acreditam que nada pode ser feito sobre isso”, explica a médica Vanessa Morais, diretora da VRMedCare, empresa especializada em cuidados domiciliares na terceira idade.

Segundo a médica, a depressão na terceira idade tem diversas causas ambientais:

 

Mudanças no seio da família;

Dor e doenças crônicas;

Dificuldade para se locomover;

Frustração com a perda de memória;

Perda de um amigo ou do  cônjuge;

Dificuldade para se adaptar a uma mudança de vida, como mudar do lar para uma casa de repouso, por exemplo.

 

“A depressão na terceira idade também pode ser um sinal de um problema médico ou mesmo ser efeito colateral de alguns medicamentos, comumente prescritos para os idosos”, afirma Vanessa Morais.

 

Sintomas de depressão

Os sintomas de depressão nos idosos podem não ser fáceis de identificar. Isto porque estes sintomas freqüentemente são ignorados ou confundidos com outras doenças comuns na terceira idade, tais como:

 

Doença de Alzheimer;

Câncer;

Doença cardíaca;

Doença de Parkinson;

Distúrbios da tireóide.

 

Segundo a médica, os sintomas de depressão em idosos abrangem:

Pensamentos fixos sobre a morte;

Pensamentos inadequados de culpa excessiva ou inapropriada;

Dores;

Alterações no apetite (geralmente uma perda de apetite);

Mudanças no peso: perda involuntária de peso (mais comum)
ou ganho de peso;

Irritação excessiva;

Dificuldade de concentração;

Cansaço ou fadiga;

Sentimentos de inutilidade ou tristeza;

Comportamentos irresponsáveis;

Perda de interesse ou prazer nas atividades diárias;

Perda de memória;

Planos de cometer suicídio ou tentativas reais de suicídio;

Temperamento agitado;

Problemas para dormir;

Sonolência diurna;

Acordar várias vezes durante a noite.

 

“O diagnóstico só pode ser feito, após rigoroso acompanhamento médico, pois a depressão no idoso é mais difícil de ser definida. Por exemplo,  sintomas como fadiga, perda de apetite e dificuldade para dormir podem indicar depressão, como  também podem ser parte do processo de envelhecimento ou de uma condição médica. Uma consulta médica ampla poderá  determinar se uma doença está causando a depressão. A avaliação psiquiátrica e outros exames podem ser necessários para a conclusão do diagnóstico”, explica a diretora da VRMedCare.

 

Importância do tratamento

“Ao contrário do que muitas pessoas pensam, é preciso destacar que a depressão não é uma parte normal do envelhecimento, nem é mais difícil de tratar em pessoas idosas”, afirma a médica Renata Diniz, que também dirige a VRMedCare, empresa especializada em cuidados médicos na terceira idade.

Segundo a médica, “o ideal, quando lidamos com pacientes idosos, é evitar situações que favoreçam o desenvolvimento dos sintomas depressivos, fazendo com que o idoso mantenha um ciclo regular de atividades previamente planejadas que visem o seu prazer e fortaleçam a sua razão para viver. Mas quando o quadro de depressão está presente, existem muitas alternativas terapêuticas que podem ser aplicadas a cada caso, em particular”, diz Renata Diniz.

“Em alguns casos, aliviar a solidão através de saídas em grupo, trabalho voluntário ou ter visitantes regulares pode ajudar no tratamento. Programas de exercícios físicos também podem reduzir a depressão em idosos. Para outros pacientes, o tratamento consiste em tratar as condições médicas que causam a doença ou parar a administração de certos medicamentos”, conta a diretora da VRMedCare.

“A psicoterapia também é um tratamento eficaz. Em casos de depressão moderada a grave, os pacientes idosos podem obter melhores resultados através da combinação de psicoterapia com medicamentos antidepressivos, prescritos por um psiquiatra ou por um geriatra. Estes medicamentos são cuidadosamente monitorados devido aos seus efeitos colaterais. Os geriatras costumam receitar doses mais baixas de antidepressivos para as pessoas mais idosas, e, aos poucos, aumentam a dose mais lentamente do que em adultos jovens”, explica Renata Diniz.

 

 


Mais de 80% dos idosos caem dentro de casa

Dado serve de alerta no Dia Mundial do Idoso, comemorado em 1º de outubro

 

A queda é um dos acidentes com idosos que mais preocupam médicos e familiares, e esta é a principal causa de incapacidade da chamada terceira idade. Isto porque, o tombo pode gerar lesões graves, como fraturas em um ou mais membros e traumatismos cranianos, causando muitas limitações físicas e psicológicas que podem comprometer seriamente a qualidade de vida. Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um terço, das pessoas idosas, cai pelo menos uma vez ao ano, sendo 33% delas nas residências e 50% nas instituições onde vivem. Destes, cerca de 42% estão acima dos 70 anos.
“A maioria das quedas causa algum tipo de lesão, sendo 30% a 50% de menor gravidade, 5% a 6% mais graves e 5% fraturas. A ruptura do fêmur é a principal responsável pela hospitalização e metade dos atingidos morrem no primeiro ano de fratura quando ela provoca outras complicações de saúde”, revela Ragael Canineu, geriatra do Hospital da Aeronáutica de São Paulo. Levantamento do Ministério da Saúde aponta um crescimento de 40% no número de internações na rede pública por conta deste tipo de fratura na última década.

Especialistas alertam que as quedas não são um acontecimento normal nos idosos e se ocorrem com certa frequência os motivos devem deve ser investigados. Entre os principais fatores de risco dos tombos estão o uso de múltiplos medicamentos, perda da força muscular, ausência de exercício físico, perda de equilíbrio, algumas doenças crônicas (Mal de Alzheimer, artrite e osteoporose), escadas e pisos escorregadios, tapetes soltos, móveis no meio do caminho, calçados inadequados e iluminação insuficiente.

“Quando o idoso cai, a atenção tem que ser redobrada. Ele deve ser encaminhado ao médico e receber tratamento e cuidados bem mais abrangentes que os paliativos nos ferimentos. É preciso submetê-lo a uma avaliação clínica funcional, psicológica e ambiental. Também é preciso investigar se há presença de osteoporose”, alerta o geriatra. Uma forma de lidar com as alterações de habilidades provocadas pelo avanço da idade e melhorar o equilíbrio é praticar uma atividade física regular, como caminhada, alongamento e condicionamento físico, entre outras, sempre acompanhado por um especialista, além de controlar o peso e as enfermidades existentes.

Confira algumas dicas que podem ajudar a evitar as quedas dos idosos: sentar-se para colocar os calçados e calças; usar calçados baixos que não saiam dos pés; fazer adaptações na casa, como retirar ou prender os tapetes, colocar barras de apoio no banheiro, não encerrar o chão, manter escadas e áreas de circulação livres de móveis e objetos maiores, colocar iluminação adequada; evitar subir em bancos e escadas para alcançar objetos fora do alcance; usar corrimões das escadas e levantar-se devagar, buscando o equilíbrio antes de andar.

Garantir uma velhice saudável e ativa é fundamental em tempos onde a população no mundo está ficando cada vez mais velha. “Com o passar dos anos há uma real tendência de desenvolvimento de certas doenças como hipertensão, diabetes e catarata, mas elas são tratáveis. Fora isso, os órgãos públicos de saúde devem educar a população com programas de prevenção que garantam uma velhice mais saudável”, acredita Claudia Fló, fisioterapeuta e gerontóloga, presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SP (SBGG-SP). E ela tem razão. Segundo a OMS, por volta de 2025, pela primeira vez na história, haverá mais idosos do que crianças no planeta.

 

Fonte: www.saudeempautaonline.com.br

 

 


O Novo Idoso

 

A população mundial está envelhecendo, inclusive aqui no Brasil. No Censo Demográfico 2010, o IBGE revelou que não para de crescer a participação proporcional de idosos em nossa sociedade. Eles eram 4,8% do total em 1991, passaram para 5,9% no ano 2000, e chegaram a 7,4% dos 190 milhões de habitantes em 2010.

A Medicina, e toda a estrutura tecnológica que a cerca, tem muito a ver com isso. Contamos com exames cada vez mais detalhados e precisos, capazes de identificar ameaças ao organismo que antes permaneciam ocultas; diagnósticos fundamentados num amplo e diversificado cruzamento de dados e informações, que permitem a composição de quadros mais definidos sobre cada situação; tratamentos especializados e adequados às necessidades específicas do paciente, de modo a obter os melhores resultados com menos danos e efeitos colaterais.

Um progresso extraordinário, por exemplo, foi alcançado com as tomografias de última geração, que avaliam as coronárias sem invadir o organismo.

Todos esses avanços, porém, dependem da participação ativa das pessoas. Isso inclui firme disposição para seguir as regras básicas para a prevenção de doenças (longe do cigarro, perto da comida saudável e dos exercícios), disciplina em frequentar o consultório médico periodicamente para controle e check-up, e esforço consciente em seguir as orientações recebidas, por mais duras que sejam.

Cuidar de quem chega à Terceira Idade não é tão problemático como pode parecer à primeira vista. Ao contrário. A vida ensina muito, e a experiência acumulada ajuda os mais velhos a compreender melhor o que acontece com eles, com seu corpo. Afinal, foram muitos e muitos anos, trocas sucessivas de informações com parentes e amigos. A sabedoria, que se constroi com o tempo, é guia insuperável.

Há uma nova geração de idosos, atuantes e participativos. Reúnem-se para atividades de cultura, lazer, esporte. Perderam o medo da internet. Viajam, programam festas, encontram uma renovada raison d’être num momento da existência em que, apenas décadas atrás, a velhice era afastamento, isolamento, desistência.

É uma lição que está à vista de todos. Temos muito a aprender com Vovô e Vovó. Basta deixar os preconceitos de lado, dar um pouco de atenção a eles, olhar nos seus olhos, ouvir o que têm a contar. Ganharemos todos com essa integração de gerações. Idade, enfim, faz parte de felicidade.

 

Américo Tângari Junior

 

 


Musculação vira remédio para idoso combater doenças
Pacientes com osteoporose e artrose, antes orientados pelo médicos a praticar exercícios leves, agora são estimulados a malhar na academia

 

Exercícios físicos se tornaram tão importantes quanto os remédios no tratamento de doenças como osteoporose, osteoartrose e artrite reumatoide. Não à toa, estima-se que a frequência de pessoas com mais de 60 anos nas academias de ginástica tenha aumentado cerca de seis vezes nos últimos dez anos.

De olho nesse filão, muitos estabelecimentos têm feito parcerias com consultórios médicos e oferecido descontos e atividades específicas para os idosos por eles encaminhados. Surgiram até academias especializadas nesse público, com equipe médica própria e instalações adaptadas a quem tem mobilidade reduzida (mais informações nesta página).

O boom teve início após a comprovação, no início da década passada, de que exercícios com sobrecarga são capazes de impedir o avanço da osteoporose, conta Kleber Pereira, presidente da Associação Brasileira de Academias (Acad). "Os médicos passaram a recomendar a musculação para os idosos, que hoje representam quase 30% de nossos alunos."

Estudos recentes têm demonstrado os benefícios da musculação para outro problema que atinge quase 60% das pessoas com mais de 60 anos: a osteoartrose. Caracterizada pelo desgaste das articulações, a doença causa dor e restringe os movimentos.

Mitos. "Até pouco tempo atrás, pacientes com artrose recebiam a recomendação de praticar apenas atividades leves e evitar carregar peso ou subir escadas", conta Julia Greve, coordenadora do Laboratório de Estudos do Movimento (LEM) da Faculdade de Medicina da USP.

Mas hoje já se sabe que o fortalecimento da musculatura reduz a sobrecarga na articulação, diminui a dor e recupera a amplitude dos movimentos.
Outro mito que vem sendo derrubado por uma pesquisa realizada no LEM é o de que idosos não respondem tão bem aos exercícios quanto pessoas jovens.

A equipe coordenada por Julia acompanhou três grupos de mulheres ao longo de 13 semanas de musculação. O primeiro era composto por idosas com osteoartrose nos dois joelhos que já haviam se submetido a cirurgia para colocação de prótese em um deles. O segundo era de idosas sem problemas articulares e o terceiro, jovens saudáveis.

Quatro quesitos foram avaliados antes e depois das 13 semanas: a distância caminhada durante 6 minutos, a velocidade com que subiam um lance de escada, o tempo gasto para levantar e sentar em uma cadeira e o tempo para levantar da posição deitada. Em todos eles, o grupo de mulheres com problemas articulares foi o que mais evoluiu. Também esse grupo foi o que mais conseguiu aumentar a sobrecarga durante o período avaliado e melhorar o equilíbrio.

A história do aposentado Antonio Carlos Amabile, de 72 anos, é prova de que, independentemente da idade e da condição inicial, sempre é possível melhorar com a prática de atividade física. Em 1999, ele teve de passar por uma cirurgia para retirar a cabeça do fêmur por causa de um abcesso. "Os médicos acharam melhor não colocar prótese por causa da diabete. Ficaram com medo de rejeição", conta. Após dois anos de fisioterapia, ele teve o aval da equipe para praticar musculação.

"No começo, chegava à academia de andador e tinha de fazer os exercícios sem peso. Aos poucos fui recuperando tudo. Hoje subo e desço escadas com facilidade. Sou independente, embora ainda tenha de usar bengala."

Amabile sente-se em casa no meio dos marombeiros e das garotas de coxas grossas. É tão popular entre os colegas que acabou se tornando garoto propaganda da rede de academias Nível A. "A parte social é importantíssima. Deixa a gente estimulado. Sinto falta quando não venho."

Kokichi Takano, de 76 anos, é outro que já incorporou a malhação na rotina. Quatro vezes por semana, ele dedica duas horas para exercício de musculação, alongamento e esteira. Aos fins de semana, vai ao Parque do Ibirapuera caminhar. "Comecei a treinar com regularidade aos 70 anos. Sofria de artrose e tinha muita dor no nervo ciático. Agora não sinto mais nada", garante.

Treino ideal. Fabio Jennings, reumatologista e especialista em medicina esportiva da Universidade Federal de São Paulo, diz que o treino ideal para idosos deve incluir exercícios aeróbicos, para ajudar no controle do peso corporal, fortalecimento muscular e alongamento, para melhorar a flexibilidade. "Também é importante acrescentar atividades que trabalhem o equilíbrio. Isso diminui o risco de quedas e, consequentemente, de fraturas."

Nem sempre, porém, pessoas com problemas nas articulações conseguem atingir essa meta logo de início. "Muitas vezes começamos apenas com a musculação e, depois que a dor diminui, entramos com a caminhada e exercícios de alongamento", conta o professor de educação física Emmanuel Gomes Ciolac.

O segredo da atividade física em pacientes com problemas de saúde é saber o que fazer, como fazer, com qual carga e intensidade, diz Julia Greve. "É uma prescrição individualizada. Como a de um medicamento."

 

Saiba mais

Osteoporose

Exercícios de musculação e de impacto, como corrida, estimulam a formação de massa óssea e impedem a progressão da doença. A dor também diminui porque a atividade física estimula a produção da substância osteoprotegerina, que protege os ossos.

 

Corrida

Embora benéfica para a massa óssea, é contraindicada para pessoas com osteoartrose de joelhos. A pressão nas articulações causada pelo peso corporal aumenta cerca de cinco vezes durante a corrida.

 

Musculação

O fortalecimento da musculatura diminui a sobrecarga e estabiliza as articulações, diminuindo a dor e facilitando os movimentos. Os exercícios também estimulam a produção do líquido sinovial, essencial para o bom funcionamento do sistema locomotor.

 

Equilíbrio

A prática regular de exercícios também melhora o equilíbrio e a coordenação motora, diminuindo o risco de quedas e de fraturas.


Karina Toledo
Fonte: Estadão

 

 


Bons hábitos diminuem incômodos da menopausa

Alimentação saudável, vida social ativa e atividade física são os grandes aliados

 

A menopausa marca o final do período reprodutivo da mulher. Nesta fase, entre 45 e 55 anos de idade, os ovários deixam de produzir os hormônios estrogênios e progestógeno de forma gradativa, até perderem de vez a capacidade de funcionar. Trata-se de um estágio na vida da mulher. No entanto, nessa fase ocorrem diversas mudanças no organismo feminino que podem predispor o aparecimento e o agravamento de algumas doenças. Também nesse período, a mulher pode apresentar uma série de sinais desconfortáveis, como ondas de calor, alteração de humor, insônia, depressão e diminuição do desejo sexual.

A Coordenadora do Núcleo Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilela, enfatiza que adotar hábitos saudáveis pode amenizar muito os problemas que surgem com a menopausa. “Esse é um momento de cuidar de si mesma. É importante fazer exercícios físicos, que inclusive ajudam na questão da osteoporose, tomar sol pela manhã, caminhar, socializar com as amigas e fazer atividades em que a mulher se sinta útil. Esse, sem dúvida é o melhor tratamento”.

A alimentação também pode ser uma aliada nessa fase da vida da mulher. A nutricionista do Hospital Geral do Estado de Alagoas, Ana Cristina Quixabeira, explica que na menopausa é indicado o maior consumo de alimentos ricos em cálcio e vitamina D, como laticínios magros, verduras escuras e leguminosas. Ela explica que os alimentos considerados funcionais são inúmeros e, além dos benefícios antes e durante a menopausa, trazem efeitos preventivos sobre diversas doenças. “Os alimentos devem ser vistos com bastante importância, pois podem retardar o estabelecimento de doenças crônico-degenerativas e melhorar a qualidade e expectativa de vida das pessoas”.

Às vezes, mesmo adotando hábitos de vida saudáveis, os sintomas podem continuar incomodando ao ponto de interferir no dia a dia. Nesse caso, a mulher pode procurar seu ginecologista e buscar alternativas para amenizar as ondas de calor, que incomodam bastante e mexem com o humor. Mas é importante enfatizar que o tratamento deve ser individualizado. Ginecologista e paciente devem discutir todas as vantagens e riscos dos diversos tipos de terapia existentes e chegar a um consenso sobre o que fazer.

 Esther Vilela conta que algumas experiências emocionais intensas, como a saída dos filhos de casa, também  podem intensificar os sintomas da menopausa. Por isso é importante manter o equilíbrio. “A falta dos filhos, naturalmente, dá uma sensação de não saber o que fazer da vida. Mas se a mulher estiver mais tranquila em relação aos sintomas que já são comuns a menopausa, como ansiedade, insônia, mal estar e, até mesmo, a perda do desejo sexual, esse sentimento de perda vai passar de uma forma bem mais serena”, explica a coordenadora.

Apesar dos desconfortos comuns dessa fase da vida, é possível encarar a menopausa com naturalidade. A coordenadora enfatiza que o final do ciclo reprodutivo pode ser visto como um estímulo para iniciar uma nova etapa, com conquista de experiências positivas.

 

Soraya Lacerda

Agência Saúde – Ascom/MS

 

 


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